Viver com diabetes tipo 2 no Norte do Brasil: impactos na qualidade de vida e na funcionalidade

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) representa um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, com impacto ainda mais expressivo em regiões socialmente vulneráveis e geograficamente afastadas, como o Norte do país. Além do controle glicêmico, aspectos como capacidade funcional e qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) vêm ganhando destaque por refletirem de forma mais ampla como a doença afeta o cotidiano das pessoas.

Um estudo realizado em Tocantinópolis (TO) investigou justamente essas dimensões em adultos com DM2 acompanhados na atenção primária à saúde.

Por que avaliar qualidade de vida e funcionalidade?

Embora o tratamento do DM2 tradicionalmente foque em medicamentos e controle metabólico, fatores como nível de atividade física, bem-estar psicológico e relações sociais influenciam diretamente a evolução da doença, a adesão ao tratamento e o risco de complicações. Avaliar essas dimensões permite identificar lacunas no cuidado oferecido, especialmente em regiões com menor acesso a recursos de saúde.

Como o estudo foi conduzido?

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico, com 99 adultos diagnosticados com DM2, atendidos em unidades básicas de saúde de Tocantinópolis, no Norte do Brasil.

Os instrumentos utilizados foram:

  • International Physical Activity Questionnaire (IPAQ): para avaliar a capacidade funcional e o nível de atividade física
  • WHOQOL-bref: para mensurar a qualidade de vida relacionada à saúde
  • Coleta de dados sociodemográficos e clínicos, seguida de análises estatísticas descritivas e testes de correlação

Principais resultados

A amostra foi composta majoritariamente por mulheres (71%), com idade média de 58,7 anos. Os resultados revelaram um cenário preocupante:

  • Baixa capacidade funcional: a maioria dos participantes apresentou níveis reduzidos de atividade física
  • Qualidade de vida comprometida: os domínios físico e psicológico do WHOQOL-bref tiveram os menores escores
  • Domínio social preservado: as melhores pontuações foram observadas no aspecto social, sugerindo suporte familiar ou comunitário
  • Associação significativa: níveis mais baixos de atividade física estiveram associados a piores escores de qualidade de vida, especialmente nos domínios físico e psicológico

O que esses achados indicam?

Os resultados mostram que pessoas com DM2 atendidas na atenção primária em regiões do Norte do Brasil convivem não apenas com a doença, mas também com limitações funcionais importantes e impactos negativos no bem-estar físico e emocional. A relação direta entre sedentarismo e pior qualidade de vida reforça o papel central da atividade física como estratégia terapêutica.

Implicações para a atenção primária à saúde

O estudo evidencia a necessidade de estratégias integradas de cuidado, que vão além do tratamento medicamentoso, incluindo:

  • Programas estruturados de promoção da atividade física
  • Ações de apoio psicológico e emocional
  • Abordagens interdisciplinares adaptadas à realidade de regiões remotas e de baixo recurso
  • Leitura original no link abaixo

https://www.researchgate.net/publication/394746912_Living_with_Diabetes_Quality_of_Life_and_Functional_Impairment_among_Adults_with_Type_2_Diabetes_in_Northern_Brazil


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https://justbriefit.com/?p=1191
https://justbriefit.com/?p=1064&preview=true

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