✍️ Impacto das eleições na volatilidade e no risco
Eleições nacionais costumam gerar incerteza significativa nos mercados financeiros, resultando em aumento da volatilidade. Durante períodos eleitorais, indicadores como o índice VIX — que mede a aversão ao risco — tendem a subir à medida que os investidores tentam antecipar desfechos políticos e suas consequências econômicas .
Essa incerteza é particularmente intensa em disputas apertadas ou quando as opções políticas divergem amplamente, levando a mercados mais sensíveis e reativos . Após o resultado da eleição, a volatilidade costuma se dissipar, e os mercados se estabilizam com maior clareza sobre o rumo político e econômico
Efeito nos retornos antes e após eleições
Estatísticas de eleições presidenciais nos EUA mostram que:
- Nos 12 meses antes da eleição, o índice S&P 500 oferece retornos mais modestos (em torno de 6%) em comparação com anos não eleitorais (aproximadamente 8 %) .
- Nos 12 meses após a eleição, o desempenho melhora um pouco — cerca de 6,5 % em casos de continuidade de governo e 5 % em alternância partidária .
Ensaios históricos analisando eleições de 1928 em diante indicam que o S&P 500 sobe em 20 dos 24 anos eleitorais, o que demonstra que, em geral, a política eleva menos os riscos do que o mar de possibilidades .
Repercussões segundo setores econômicos
Os efeitos dos resultados eleitorais variam conforme o setor:
- Saúde, energia tradicional e defesa costumam se valorizar quando vence um candidato que apoia desregulação ou gastos públicos nesses segmentos.
- Energia limpa e tecnologia ganham com candidatos que promovem políticas ambientais mais rigorosas ou incentivos à inovação .
Estudos modernos em mercados dos EUA mostram que “choques eleitorais” (surpresas no resultado ou debates) provocam movimentos imediatos nos preços de ativos ligados às políticas esperadas, com efeitos persistentes dependendo do setor .
Exemplos históricos de alta resposta
- Eleições dos EUA em 2008 provocaram queda de cerca de 9% no S&P 500 nos meses seguintes, refletindo incertezas sobre a reforma da saúde e regulação .
- Em 2016, a vitória inesperada de Donald Trump impulsionou o S&P 500 em cerca de 5% nas duas semanas seguintes, alimentado por expectativas de cortes tributários e liberalização .
- Na Grécia em 2015, a busca por reversão dos acordos de resgate levou a uma queda de 30% no índice de ações e à elevação dos yields da dívida de longo prazo de 5,6% para mais de 10% em pouco tempo .
- Na Índia em 2014, perto da vitória esperada do partido pró-negócios, o índice Sensex atingiu recordes históricos e a moeda local se fortaleceu.
Investimento racional x reações emocionais
Especialistas alertam que investidores tendem a reagir de forma emocional durante ciclos eleitorais — muitas vezes reduzindo exposição ao risco de modo impulsivo, o que pode prejudicar retornos de longo prazo .
Dados da TIAA indicam que portfólios tradicionais 60/40 tiveram rendimentos similares em anos eleitorais (média de 8,7 %) e não eleitorais (8,5 %) desde 1928 — sugerindo que decisões baseadas apenas na política são pouco produtivas .
🔍 Comparativo das principais influências
Efeito observado | Como atua no mercado financeiro |
---|---|
Incerteza eleitoral | Aumenta volatilidade, aversão ao risco e demanda por ativos seguros |
Fatores setoriais | Reações ao candidato vencedor variam conforme setor de políticas |
Retornos antes da eleição | Costumam ser moderados, inferiores à média histórica |
Retornos após a eleição | Leve recuperação ou manutenção de tendência moderada |
Investimento emocional | Geralmente resulta em erros de timing e prejudica desempenho |
✅ Eleição e mercado financeiro
As eleições podem sim chacoalhar os mercados no curto prazo — sobretudo por meio da incerteza e da especulação setorial. Historicamente, há efeitos sutis e previsíveis antes e após os pleitos, mas o desempenho de longo prazo tende a seguir os fundamentos econômicos, e menos as reviravoltas políticas.
Quando o vencedor se estabelece e sua agenda de governo torna-se mais visível, os mercados ajustam expectativas e estabilizam. Isso reforça a orientação de que investidores devem priorizar diversificação, visão de longo prazo e decisões baseadas em dados econômicos, não em medo eleitoral.
Para o investidor cauteloso, a chave é evitar decisões impulsivas motivadas por ruído político — focando em variáveis econômicas sólidas como juros, crescimento e resultados das empresas.
Gostou da informação? Comenta aqui e compartilha com seu amigo(a).
Quer saber mais sobre o tema? Leia mais aqui nesse link.
Deixe um comentário