Diabetes tipo 1: a percepção de esforço pode ajudar a prescrever exercícios físicos?

Pessoas com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, tornando a prática regular de exercícios físicos uma das principais estratégias não farmacológicas para proteger a saúde. Entretanto, monitorar a intensidade do exercício de forma segura ainda é um desafio, especialmente em academias e ambientes sem equipamentos sofisticados.

Um estudo recente investigou se ferramentas simples, de baixo custo e facilmente aplicáveis no dia a dia poderiam auxiliar nesse processo.

Os pesquisadores avaliaram 12 adultos com DM1 que participaram de três sessões de aproximadamente 30 minutos: uma sessão de treinamento aeróbico intervalado e duas sessões de treinamento de força com diferentes protocolos. Durante os exercícios, foram monitorados a frequência cardíaca e a glicemia capilar antes, imediatamente após e 20 minutos após o término da atividade. Ao final de cada sessão, os participantes também informaram sua percepção subjetiva de esforço (PSE) e o nível de prazer (enjoyment) proporcionado pelo exercício.

Os resultados mostraram que os protocolos de treinamento de força foram percebidos como mais intensos do que o treinamento aeróbico. Além disso, a percepção subjetiva de esforço apresentou associação positiva com a intensidade cardiovascular alcançada durante as sessões, indicando que essa ferramenta pode ser útil para estimar a carga interna do exercício.

Por outro lado, o nível de prazer relatado pelos participantes não demonstrou associação com a frequência cardíaca nem com as respostas glicêmicas. Da mesma forma, nenhuma das duas ferramentas foi capaz de prever as alterações da glicemia decorrentes do exercício.

Na prática, esses achados sugerem que a percepção subjetiva de esforço pode ser uma ferramenta complementar, acessível e de baixo custo para auxiliar profissionais na prescrição e no monitoramento do exercício físico em adultos com DM1, principalmente em ambientes onde o monitoramento tecnológico é limitado.

Entretanto, existe uma mensagem fundamental: a monitorização direta da glicemia continua sendo indispensável para garantir a segurança durante a prática de exercícios físicos nessa população.

Embora promissores, os resultados devem ser interpretados com cautela, já que o estudo contou com uma amostra pequena. Novas pesquisas com um número maior de participantes ainda são necessárias antes que recomendações clínicas definitivas sejam estabelecidas.

📌 Aplicação prática: em pessoas com DM1, a percepção subjetiva de esforço pode ajudar a ajustar a intensidade dos exercícios, mas nunca substitui o monitoramento da glicemia.

Publicação original: https://www.researchgate.net/publication/407297795_Perceived_Exertion_Is_Associated_with_Cardiovascular_Strain_but_Not_Glycemic_Response_to_Gym-Based_Exercise_in_Adults_with_Type_1_Diabetes_An_Exploratory_Randomized_Crossover_Trial

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