A crescente prevalência de inatividade física entre a população brasileira tem se tornado uma preocupação importante para gestores de saúde pública. Esse cenário é ainda mais crítico nas grandes cidades, como João Pessoa-PB, onde, apesar da disponibilidade de espaços e programas voltados para a prática de atividade física (AF), uma parcela significativa da população continua fisicamente inativa.
O projeto “João Pessoa Vida Saudável” (JPVS), uma iniciativa pública voltada para a promoção de saúde por meio da prática de atividade física, é uma resposta a essa necessidade.
Características Sociodemográficas e Estilo de Vida dos Participantes
A amostra do estudo foi composta por 105 iniciantes no projeto JPVS, dos quais 91% eram mulheres. Esse dado revela que a maioria dos participantes do programa são do sexo feminino, o que é relevante, pois destaca uma tendência de maior envolvimento feminino com iniciativas de saúde pública. No entanto, também é possível observar a necessidade de estratégias para aumentar a adesão masculina a programas semelhantes.
A faixa etária, embora não especificada, pode ser inferida a partir dos dados apresentados, já que 47% dos participantes eram casados e 59% haviam cursado o ensino médio ou superior, sugerindo que muitos participantes são adultos em uma fase de vida consolidada. O nível educacional dos participantes é um fator relevante, pois pode impactar diretamente a compreensão dos benefícios da atividade física e a adesão a mudanças no estilo de vida. Quanto ao estilo de vida, um dado relevante foi que 68% dos participantes indicaram insuficiência na prática de atividade física antes de ingressarem no projeto. Este dado revela o desafio inicial enfrentado por muitos brasileiros em integrar a atividade física ao seu cotidiano, um problema amplificado pela vida sedentária típica das grandes cidades.
Além disso, o estudo revelou que, embora os índices de tabagismo e etilismo entre os participantes fossem baixos, 71% dos participantes relataram preocupação com dor ou desconforto físico, o que pode ser um reflexo de condições de saúde pré-existentes. Esses dados apontam para a necessidade de se considerar fatores como a dor crônica e o desconforto físico ao planejar e implementar programas de intervenção em saúde, garantindo que as atividades propostas sejam adequadas às limitações e necessidades dos participantes.
Impacto do Programa na Qualidade de Vida
Um aspecto central do estudo foi a análise da qualidade de vida (QV) dos participantes após um ano de intervenção. A QV foi medida em diversos aspectos, como bem-estar físico e mental, satisfação com a saúde e a percepção geral de qualidade de vida. Ao final de um ano de participação no projeto, 67% dos participantes relataram estar satisfeitos com a saúde e 75% estavam satisfeitos com sua qualidade de vida. Esses resultados indicam que o projeto teve um impacto positivo sobre a percepção dos participantes em relação à sua saúde e ao seu bem-estar.
Entretanto, é importante ressaltar que 71% dos participantes ainda relataram preocupação com dor ou desconforto físico, o que sugere que, apesar dos avanços, ainda há desafios a serem enfrentados. O desconforto físico pode ser uma barreira significativa para a adesão contínua a programas de atividade física, especialmente em pessoas com condições de saúde preexistentes ou com idade avançada. Por isso, é essencial que os programas de saúde pública considerem essa questão e ofereçam opções de atividades adaptadas a diferentes níveis de capacidade física.
Para que serve essas informações científicas?
Esses achados fornecem direções valiosas para gestores e profissionais da saúde no desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes para a promoção da atividade física e o bem-estar. A inclusão de estratégias que considerem as limitações dos participantes, como atividades físicas de baixo impacto para aqueles com dor crônica ou outras condições de saúde, pode ser crucial para garantir a adesão e o sucesso a longo prazo desses programas. Além disso, a criação de campanhas educativas para promover a importância da atividade física e hábitos saudáveis pode ajudar a reduzir a prevalência de inatividade física e melhorar a saúde geral da população.
Por fim, o estudo contribui para o avanço do conhecimento sobre o impacto dos programas públicos de atividade física, especialmente em contextos urbanos como João Pessoa. Com base nesses dados, é possível aperfeiçoar os programas existentes e criar novos modelos de intervenção que atendam de forma mais eficaz às necessidades da população, promovendo um estilo de vida mais saudável e uma melhor qualidade de vida para todos.
Citação principal
Características sociodemográficas, estilo de vida e qualidade de vida de participantes de um projeto público de atividades físicas em João Pessoa-PB
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