O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é caracterizado por resistência à insulina e alterações no metabolismo energético. Nesse contexto, o exercício físico se destaca como uma das principais estratégias não farmacológicas para o controle glicêmico. Parte desses benefícios ocorre por meio da ativação da via da proteína quinase ativada por AMP (AMPK), um importante sensor energético celular.
Um novo mapa de evidências científicas reuniu e organizou os principais achados sobre a expressão de moléculas da via AMPK após diferentes tipos de exercício em pessoas com DM2.
Por que a via AMPK é importante?
A AMPK atua como um regulador central do metabolismo energético. Quando ativada, ela estimula processos como:
- Captação de glicose pelo músculo, independentemente da insulina
- Oxidação de ácidos graxos
- Biogênese mitocondrial, fundamental para eficiência metabólica
Esses mecanismos são especialmente relevantes para indivíduos com DM2, nos quais a sinalização da insulina está comprometida.
Como o estudo foi conduzido?
Trata-se de uma revisão integrativa com mapa de evidências, abrangendo estudos publicados entre 2004 e 2024. As buscas foram realizadas nas bases MEDLINE/PubMed, SciELO e LILACS.
Após aplicação de filtros, remoção de duplicatas e triagem por títulos e resumos, nove estudos preencheram os critérios de elegibilidade e foram incluídos na análise.
Principais achados
A revisão identificou um aumento na expressão de 25 moléculas associadas à via AMPK após a prática de exercício físico em pessoas com DM2. Entre as mais relevantes, destacam-se:
- GLUT4: proteína responsável pelo transporte de glicose para dentro da célula muscular
- PGC-1α: regulador-chave da biogênese mitocondrial e da capacidade oxidativa
Outro ponto importante foi a superioridade do exercício combinado (aeróbico + resistência) em comparação ao exercício aeróbico ou ao treinamento de força realizados de forma isolada. O exercício combinado demonstrou maior capacidade de ativar a via AMPK e estimular a expressão dessas moléculas.
Para a prática clínica, o estudo sugere que:
- O exercício combinado pode oferecer benefícios metabólicos superiores
- A periodização adequada do treino é fundamental para maximizar respostas moleculares
- O exercício deve ser visto como uma intervenção biológica e terapêutica, e não apenas comportamental
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