Exercício aeróbico e pressão arterial no diabetes tipo 1: o que mostram os diferentes formatos de treino?

Pessoas com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) podem apresentar, ao longo da vida, alterações cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial. Nesse contexto, o exercício aeróbico é amplamente recomendado como estratégia não farmacológica para melhorar a saúde cardiovascular. Um dos efeitos mais estudados é a hipotensão pós-exercício, caracterizada pela redução da pressão arterial após a sessão de atividade física.

Por que analisar diferentes intervalos de exercício?

A resposta da pressão arterial ao exercício depende de fatores como intensidade, duração, recuperação e frequência. Em pessoas com DM1, essas variáveis ganham ainda mais importância, pois alterações autonômicas e metabólicas podem modificar a resposta cardiovascular ao esforço.

Como o estudo foi conduzido?

A revisão sistemática seguiu o protocolo PRISMA, com buscas nas bases PubMed, SciELO e Medline. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada pela escala TESTEX. Ao final, seis estudos foram incluídos na análise.

A amostra total envolveu 35 adolescentes e 51 adultos com DM1, que atuaram como seus próprios controles, avaliando tanto efeitos agudos quanto crônicos do exercício aeróbico.

Efeitos agudos: o que acontece após uma sessão?

Os resultados mostraram que, de forma geral, uma única sessão de exercício aeróbico contínuo de intensidade moderada não promoveu redução estatisticamente significativa da pressão arterial em adolescentes com DM1.

  • Em adultos, apenas um estudo observou hipotensão pós-exercício após exercício intervalado
  • De maneira descritiva, três estudos indicaram reduções médias da pressão sistólica entre 0,1 e 10 mmHg cerca de 20 a 30 minutos após o exercício em adultos
  • Uma análise ambulatorial de 24 horas em adolescentes mostrou variações discretas (~1 mmHg) na pressão sistólica e diastólica, sem significância estatística

Esses dados sugerem que os efeitos agudos do exercício aeróbico sobre a pressão arterial no DM1 ainda são modestos e inconsistentes, variando conforme o protocolo utilizado.

Efeitos crônicos: o impacto do treinamento regular

Quando o exercício é analisado ao longo do tempo, os resultados se tornam mais promissores. Um estudo incluído na revisão mostrou que 12 semanas de treinamento aeróbico contínuo, com intensidade moderada (60% do VO₂máx), resultaram em:

  • Redução média de 5,8 mmHg na pressão arterial sistólica
  • Redução de aproximadamente 3 mmHg na pressão diastólica

Esses efeitos foram observados em adolescentes com DM1, indicando benefícios cardiovasculares relevantes com o treinamento regular.

O que esses achados significam na prática?

Os resultados sugerem que:

  • Sessões isoladas de exercício aeróbico contínuo têm efeito limitado sobre a pressão arterial no curto prazo
  • O exercício intervalado pode ser uma alternativa mais eficaz para promover reduções agudas da pressão arterial em adultos com DM1, especialmente homens
  • O treinamento contínuo ao longo de semanas parece ser fundamental para alcançar benefícios cardiovasculares consistentes, sobretudo em adolescentes

Link para a publicação original

https://www.researchgate.net/publication/397831095_Blood_pressure_responses_after_different_interval_configurations_in_aerobic_exercise_a_systematic_review_in_adolescents_and_adults_with_type-1_diabetes

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